Atuais leituras

quinta-feira, 11 de março de 2010

"ALGO DE NOVO NO CÉU DO INTERIOR - Itamar Rabelo


Estava eu a cumprir minha rotina de ir aos correios para retirar minha correspondência e eis que no meio do pacote, encontro um envelope de um amigo que há anos eu não vejo. E fico sabendo que Ari Marinho Bueno, ourinhense nascido em 1974, que reside em São Paulo desde 2005, acaba de lançar seu primeiro livro de poesias, “Vacas no céu do interior”, pela Scortecci.


Passada a surpresa da notícia que me chegava, pus-me à leitura. Rápida. A demorada, farei depois. De repente, vi-me apanhado a lembrar de um livro do Mário Quintana: A Vaca e o Hipogrifo. Não sei por que isso ocorreu, talvez eu tenha sido traído por um lapso de memória ao comparar duas obras que têm vacas no título, que em nada se assemelham, mas que possuem qualidades e sutilezas interessantes, a tal ponto de eu pensar que de longe, um poeta deixou uma marca (mínima) no outro.


O título em si, já é elemento próprio da obra, (tal como em Quintana) já é poema: há a vaca, um animal conhecido, e pouco prestigiado na tradição literária brasileira, e o céu, esse vasto azul, às vezes isento de nuvens, que se recusam a esconder o sol abrasador, que queima os nossos ânimos e os enche de bolhas. Ou seja, o que temos é poema/imagem.


Ari jamais afirmou que estudara ou lera Mário Quintana, suas influências maiores parecem vir dos poetas do concretismo, como Cummings, Pound, Haroldo de Campos, Décio Pignatari e outros. E sua produção poética vem de longe, lá do início dos anos 2000, e alguns de seus poemas foram publicados nas páginas deste informativo. Sua poesia não parece cotidiana, mas sim, pensada, construída nos detalhes. Mas ainda assim (aí vem o Quintana) sua obra tem um encanto inusitado, às vezes surpreende e toma de assalto a imaginação do leitor.


Resumindo: Ari Marinho Bueno é poeta ourinhense. Dos bons. E acaba de colocar algumas “Vacas no céu do interior”. Para nosso deleite.



Nenhum comentário:

Postar um comentário