Atuais leituras

sábado, 10 de abril de 2010

Entrevista ao "Balaio Cultural", Secretaria de Cultura de Ourinhos , ano 4, edição 30, abril de 2010



Balaio: Fale um pouco sobre o inicio da sua relação com a leitura e de que forma ela influenciou o seu desejo de escrever.

R: A primeira lembrança que tenho com relação à palavra escrita é a da minha vontade enorme de juntar as letras, no início de minha alfabetização, mesmo sem saber o nome e a pronúncia delas direito; era um desejo intelectualizado mesmo, embora absolutamente inconsciente, agora olhando pra trás tenho noção disso, penso que já havia um impulso em direção a esta necessidade de expressão, de me expressar... Logo em seguida minha mãe comprou pra gente (eu e meu irmão), duas coleções de livros infanto-juvenis, que traziam aquelas histórias do Soldadinho de Chumbo, Pele-de-Urso, João e Maria, a Princesa de Verdade, etc. Eram livros muito coloridos, com ilustrações bem bacanas, e alguns tinham fotos dos personagens representados por bonecos de pano... Num belo dia um vendedor de livros apareceu no portão de casa trazendo os mesmos e minha mãe nos deu esses presentes... Com o tempo fui sendo apresentado a autores mais "sérios", apresentado à Biblioteca Municipal e ao seu acervo, e daí a criar textos próprios foi natural. Queria interagir com todo aquele universo estético com que me defrontei, acho que é isso.

Balaio: Você é um dos fundadores da Associação de Amigos da Biblioteca Pública e foi também seu presidente. Como você enxerga o papel das bibliotecas públicas na formação de novos leitores?

R: Sim, a AABiP foi criada em 2001 a partir da iniciativa de um grupo de pessoas, usuários da Biblioteca Municipal, que tinham em comum além do interesse na leitura a intenção de apoiarem este veículo cultural através de intervenções que aglutinassem mais pessoas à causa, bem como subsídios para implementação de eventos, ampliação do acervo, etc. Tive a alegria de ser o primeiro presidente, naqueles primeiros tempos; digo alegria porque vejo, mesmo de longe, que a AABiP tem expandido suas atividades, tem projetos importantes em andamento e conta com o apoio do governo local, o que vem legitimar a sua existência como entidade de interesse público. Com relação ao papel das bibliotecas na formação de leitores, penso que este assunto se trata de interesse de Estado, não só de interesse público, ou individual, na medida em que transforma o leitor em ser consciente/crítico pelo suporte à educação nas diferentes esferas. A biblioteca pública, por ser pública, traz na sua razão de ser a interface que pode mediar o individual e o coletivo - se ela tiver aquele caráter efetivamente plural - , através de atividades e eventos que estimulem a criatividade, a formação do leitor, a promoção da palavra escrita e suas vertentes. O Brasil só vai chegar em algum lugar se, apoiada na biblioteca pública, a educação pública enveredar pelo caminho da criatividade. Pode parecer um pouco fatalista, otimista demais em esperar da biblioteca pública tamanha influência, mas o Lobato já dizia que um país se faz com homens e livros.

Balaio: O lançamento de Vacas no céu do interior é uma das atividades do Ano da Leitura em Ourinhos, que homenageia a escritora Clarice Lispector. Você conhece a obra da Clarice?

R: A obra da Clarice conheço menos do que deveria; li A paixão segundo G.H., Água-viva, Perto do coração selvagem, alguma coisa da biografia dela e algo da sua fortuna crítica, mas admito que ainda é pouco. Trata-se de uma escritora singular dentro da literatura brasileira, uma personalidade também singular, que merece a homenagem do Ano da Leitura aqui em Ourinhos. Prometo que a partir de agora vou buscar conhecer ainda mais o trabalho dela.

Balaio: As poesias publicadas em seu livro foram produzidas em diferentes períodos?

R: É verdade, ali estão poemas escritos e reescritos desde os 14, 15 anos, e também textos escritos e trabalhados em São Paulo, de mais ou menos uns cinco anos pra cá. Pessoas que leram o livro já disseram alguma coisa sobre a variedade do estilo, às vezes do tom do discurso, mas esta característica “barroca” da obra foi intencional. Travei conhecimento com muitos poetas através de seus textos, e fui tentando colocar nas coisas que escrevi não só a influência advinda dessas leituras, principalmente com relação à estética – e que foram muitas, mas também propor um trabalho que tivesse algum engajamento, por mais sutil. Penso que qualquer leitor/autor hoje tem diante de si uma tradição literária pela qual ele não pode passar incólume, ou negar.

Balaio: Como será o lançamento na Bienal do Livro?

R: Estamos ainda acertando detalhes, mas a editora já informou que acontecerá em agosto, no Anhembi, junto com os demais títulos lançados por ela em 2010. Será uma oportunidade para troca de idéias com outros autores, de contato com os leitores que vierem ao estande na ocasião. A data não está definida, mas a Bienal será entre os dias 12 e 22 de agosto.



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