Atuais leituras

terça-feira, 27 de julho de 2010

Depois da Cidade

Agora que procuras o verso ideal, que inicie o novo poema


E encerre um primeiro, agora que é maior o malogro.

E tu bem sabes o tamanho disto, a distância entre o que acham e o que corriges.



Menores assim as premissas que te cabem.

O teu verso parco, o teu desgosto, o teu sorriso inócuo (inócuo porque és incipiente),

O teu abraço desajeitado, a tua eterna obra em aberto.

É depois da cidade que os suspiros se ajustam.

É depois da cidade, esta que nunca foi tua, onde não existem mais motivos.



O coração não foi nunca mais aquele pedaço esquecido do acaso,

E o escopo largo dos sorrisos escamoteia a nuvem negra sobre a cidade

Enquanto as portas se fecham a toda prova



E os guizos nos pescoços das crianças gemem como elos achados de uma fantasmagoria.



Por conta do que vai escrito não houve mais recusa sob hipótese nenhuma.

O trem suburbano viajando na madrugada para mais um dia de trabalhos forçados,

E o dinheiro estará lá, contado, e o infeliz também estará lá , com certeza.



O coração bate compassado como numa marcha.

Existem aqui cadafalsos em cada pendência.

Cada passagem e sua impossível sentinela esquálida parafraseando a metamorfose dos fracos a deitar a vista

Sobre os cumes elevadíssimos da competência – ai! competência à paga de tanta fuleiragem:

O morto futuro antevê o seu defunto.



Se toda a palavra fosse uma alegria, uma consonantal alegria impronunciável (?),

E aqui nada haveria como vai; amanhã é sábado, não levar consigo os escrutínios.



Às vezes é tudo o que se avista daqui: grandes pensamentos terminam em ócio,

Embora o miocárdio seja insistente na sua jornada finita.

O sangue reticente foi o alvo que agora a seta difusa não quererá mais atingir,

Seu modelo principal foi o pecado , a multa que a parafernália dos íntimos não observa.



Aqui estarias saturado de incompetência e desespero,

E sabemos que ninguém advogará em sua causa, coadjuvante que és na esfera do lindo.

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