Atuais leituras

domingo, 1 de agosto de 2010

Sem sim nem não

“É isso. Sem pena do leitor.”

Dylan Thomas







As lucifundidas e ferruginosas flores ali escamoteiam

A beleza que outrora nelas resvalou, e era corpo presente;

Mas agora, feito um espasmo mouco e soerguido,

O jardim se avulta e avoluma como câncer enraizado.



Os olhos trespassados de agônica dor despejam o sangue

Vindo das feridas podrirrotas do inquilino asceta

Que, remoto de louvores, jaz carcaça prenhe de sentido

À espera do deus pagão que o venha atestar jazido.



Invertebrados vaporizam diante do purulor desta atmosfera;

Sacrílegos onanizam seu profetizado, escarcéu de rostos

Desfigurados, glosa de eternidades de urros e estertores,



Cobrindo as cabeças carcomidas do zumbido e das fezes.

Celebremos! Celebremos o tétrico, o escorço dos quase-vivos

Obrados em suas quase-vidas, findas no verme outro!





São Paulo, 2010.

Nenhum comentário:

Postar um comentário