Atuais leituras

domingo, 2 de outubro de 2011


"Acaso haverá vagabundos e vagabundos que sejam diferentes? Há quem seja vagabundo por preguiça e fraqueza de caráter, pela indignidade de sua própria natureza: você pode, se achar justo, me tomar por um destes.
Além deste, há um outro vagabundo, o vagabundo que é bom apesar de si, que intimamente é atormentado por um grande desejo de ação, que nada faz porque está impossibilitado de fazê-lo, porque está como que preso por alguma coisa, porque não tem o que lhe é necessário para ser produtivo, porque a fatalidade das circunstâncias o reduz a esse ponto, um vagabundo assim sempre sabe por si próprio o que poderia fazer, mas, por instinto, sente: 'no entanto eu sirvo para algo, sinto em mim uma razão de ser, sei que poderia ser um homem completamente diferente. No que é que eu poderia ser útil, para o que eu poderia servir; existe algo dentro de mim, o que será então?'
Este é um vagabundo completamente diferente; você pode, se achar justo, tomar-me por um destes."


Vincent Van Gogh, "Cartas a Théo".

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