Atuais leituras

sábado, 28 de setembro de 2013

Estudo da obra
‘Nothing is Hidden – Wittgenstein’s Criticism of his Early Thought’,
de Norman Malcolm


Introdução

O presente trabalho pretende pontuar a crítica do “segundo Wittgenstein” encontrada nas Investigações Filosóficas ao seu pensamento anterior, presente na obra Tractatus Logico-Philosophicus, de 1921. Tal tarefa baseia-se no estudo de Nothing is Hidden – Wittgenstein’s Criticism of his Early Thought, de Norman Malcolm, cujo principal objeto é, por sua vez, identificar os conceitos lógicos que distinguem estas duas fases do percurso intelectual wittgensteiniano.


1.      “A Forma do Mundo”

Norman Malcolm apresenta a concepção de ‘forma do mundo’ como fundamental no Tractatus.  Tal forma consistiria na totalidade dos possíveis estados de coisas, um espaço lógico a priori recortado pela linguagem. O espelhamento ou isomorfismo da linguagem com a atualidade dos fatos é a verdade de uma proposição.  
Nas Investigações Filosóficas, contrapondo-se ao “autor” do Tractatus, Wittgenstein afirma que os super-conceitos ali empregados como ‘pensamento’, ‘linguagem’, ‘mundo’ são mal-entendidos: a aplicação destas palavras deve ser a mesma de palavras como mesa, lâmpada, porta. Se não somos capazes de ilustrar nossos exemplos com conceitos básicos, isto mostra que não conhecemos o que queremos dizer. Conhecer um objeto demanda que se conheçam todas as possibilidades de combinação com outros objetos, sua ‘forma lógica’ (Tractatus). Removendo o obstáculo lógico ao considerar tais conceitos como se apresentam em nossa vida ordinária, Wittgenstein argumenta que se pode conhecer a circunstância em que determinada ‘sentença’ pode ser empregada, sendo o conhecimento daí adquirido empírico e contingente.                            
Diferentemente da metafísica tractariana que considera os nomes como representações isomórficas dos objetos simples no nível proposicional, as palavras têm seu sentido convencionado na aplicação que lhe é dada pelos falantes em determinado contexto.  A formação dos conceitos são intimamente ligados aos limites de toda natureza, sendo assim traçados os limites do que é pensável pelo homem.

2.      “Linguagem e os Objetos”
Segundo o Wittgenstein do Tractatus, o objeto simples em combinação com outros objetos configura um ‘estado de coisas’. Um estado de coisas é um recorte, fixado logicamente no tempo e no espaço, é o espelhamento entre proposição e atualidade (isomorfismo) através da linguagem. Um nome é um objeto dado na sua forma proposicional, substituindo-o linguisticamente. A totalidade dos objetos simples é a substância do mundo; porém, esses objetos são apenas no domínio da linguagem, como constituintes de proposições elementares. Toda proposição é uma função de verdade de uma proposição elementar, o espaço lógico ‘ocupado’ pelo arranjo provável de dados objetos simples.   
Norman Malcolm estuda a relação entre algo linguístico (nome) e algo não linguístico (objeto).  ‘A sintaxe de um nome é derivada de um objeto’, ou seja, a referencialidade do nome só existe se um objeto. Um nome é um signo linguístico que substitui um objeto proposicionalmente com a mesma ‘forma lógica’ que o dado objeto possui no mundo físico. Um nome depõe em favor do objeto: embora sejam coisas distintas, as possibilidades de um objeto simples como constituinte de uma proposição elementar encontram-se na sintaxe lógica de seu nome.

3.      “Elementos da Realidade”
Malcolm apresenta neste capítulo as teses defendidas pelo “autor” do Tractatus, e as críticas de Wittgenstein a cada um deles nas suas Investigações Filosóficas. Contra o argumento do arranjo de objetos simples como complexo e a separação deles como destruição deste complexo, considerando tais objetos simples como ‘a substância do mundo’, a crítica apresenta a contingência das coisas que mudam e são destruídas, enquanto a permanência de seus elementos não é verificável, não tem ‘justificação’.     
Outro argumento tractariano diz que se as palavras da linguagem referem-se apenas a complexos e não a simples – a consequência é a possibilidade de destruição de uma palavra, pois a mesma não tem sentido, não tem correspondência. Sentido e palavra são coisas independentes, ensina Wittgenstein, as palavras só perdem sentido se os paradigmas (convenções) a ela aplicados forem ‘destruídos’, os ‘métodos de descrição’ caírem em desuso.  O sentido de uma sentença, então, depende do método de descrição fiado nas convenções (paradigmas). Os elementos atômicos da realidade (objetos/nomes) são indestrutíveis por serem simples, terem uma forma fixa. Em caso contrário, seria logicamente possível poderem mudar. A apriorística necessidade da invariabilidade dos elementos é uma necessidade não lógica para a experiência e linguagem e suas possibilidades.  
Em oposição à correlação a priori dos elementos simples e o sentido da proposição, Wittgenstein alega que é dúbio afirmar que sentenças da linguagem ordinária satisfaçam uma ‘perfeita ordem lógica’, pois a obscuridade de sentido dessa linguagem é apenas aparente, mal-entendida.

4.      “Pensamentos”
O que é espelhamento? O que é relação imagética? Malcolm elenca a forma da relação entre pensamento e linguagem, estabelecida não somente na forma do Tractatus, mas em outros escritos de Wittgenstein (como numa carta a Russell) como segue: pensamentos são compostos de elementos mentais; sua natureza (do pensamento) é já a imagem de uma situação possível, da qual a própria imagem é o sentido. Uma sentença (proposição) pode ser feita de uma imagem, tendo como consequência que o sentido de um pensamento é conferido na sentença física. Isto talvez aconteça através de correlações já existentes ou novamente estabelecidas entre os elementos mentais, os elementos de um signo proposicional (nomes) e os elementos (objetos) que compõe a atualidade da situação.  
Perceptível aos sentidos, dessa forma, o pensamento adquire a configuração linguística (fala, escrita, mapa, diagrama) que “demonstra” o espelhamento com a realidade. Nas Investigações, o “demonstrar” do mentalismo tractariano é substituído pelo uso, pela necessidade não lógica do pensamento como forma de linguagem. Wittgenstein pergunta: ‘Isto é talvez a ideia do signo? ou a ideia do presente momento?’ Será preciso o espelhamento como valor de verdade? A imagem (picture) não tem autonomia lógica, como ‘método de descrição’, como aplicação de uma convenção? Não existe aqui uma diferença de meio onde transita a imagem (picture), mas de conceito. Não se nega a presença de elementos mentais num pensamento, mas sim da natureza destes elementos: um signo pode ser interpretado, mas não um significado. Ele é a interpretação, atesta Wittgenstein.

5.      “Quando uma proposição apresenta o seu sentido”
Wittgenstein apresenta o paradoxo que mostra uma fundamental diferença entre o Tractatus e as Investigações: se é logicamente possível alguém que conhece os constituintes (objetos/nomes) de uma proposição duvidar de seu sentido, então todo o pensamento e linguagem é impossível: ‘cada proposição é um mundo a parte’. 
Toda proposição necessariamente diz algo específico, logicamente autônomo. Entretanto, segundo as Investigações, um signo colocado num contexto como uma seta que indique a direita com o nome “Ourinhos”, pode dar margem a dúvidas: eu devo seguir por este descampado? Será que a força do vento do temporal da noite passada não virou a placa e alterou a direção para onde ela aponta? A obra tardia de Wittgenstein substitui a interpretação pela projeção. As ‘pontes’ entre signo e significado são sempre estruturas a construir através do sentido, entendido como uma convenção, um paradigma. Se não houver dúvida não há certeza – o conhecimento não é possível.
Cada sentença mostra verdadeiramente seu sentido, mais do que o pensamento como ‘ponte’ (projeção) entre linguagem (signos) e significado. Explicar uma sentença com outra sentença não faz sentido, pois o que vai expresso nela ou em qualquer outro signo ‘pode ser entendido de várias formas.’ Há de existir um sentido, um significado compartilhado entre os usuários do código linguístico. Como diz Norman Malcolm, a intensa crítica de Wittgenstein ao seu “opositor” sobre a ideia de ‘objeto privado’, estabelecida no Tractatus a faz cair por terra, bem como a ‘teoria proposicional do significado’.

6.      “Dois tipos de análise lógica”
Os dois tipos de análise lógica a que se refere este capítulo são, claramente, os tipos distintos de análise encontrados no Tractatus de um lado, e nas Investigações de outro, e cuja importância para o entendimento da linguagem se conecta com a compreensão das sentenças no nível do cálculo ou funções de verdade na primeira obra, e das noções de contexto e necessidade, envolvidos na segunda. A ‘verdadeira e oculta’ multiplicidade das respectivas sentenças descritivas de dada situação não está ao alcance do ouvinte, podendo ser revelada somente pela análise lógica do sentido individual (dado pelo falante) à sentença – esta é a teoria do “autor” do Tractatus. ‘Uma proposição é um modelo de realidade como nós a concebemos’.
Nas Investigações Filosóficas o método empregado por Wittgenstein em paralelo às funções de verdade consiste em mencionar circunstâncias em que a exposição de uma questão filosófica é inserida no nosso contexto diário, criar ‘jogos de linguagem’ simples como objetos para comparação, imaginar possíveis fatos da história natural, e dar exemplos de ordem psicológica para ilustrar a tentação de usarmos certas expressões. Ao ouvir uma história, por exemplo, o quanto podemos considerá-la enfadonha? Qual a característica/defeito que a torna aborrecida? Ao ‘avaliar’ o conto, eu não tenho uma regra de mensuração, um termo definido ou primitivo – não existe aqui um ‘cálculo’ no sentido estrito. A sentença ‘este conto é chato’ não pode ser elementar ou não elementar. O autor pode ser prolixo, o tema pode ser ultrapassado, o estilo pode ser rebuscado; tais características/defeitos são descritivos e não analíticos.

7.      “O processo interno de análise”
O ‘mentalismo’ da filosofia tradicional, que faculta aos processos internos de um lugar chamado ‘mente’ a capacidade humana de compreensão e exercício da linguagem, encontra o seu ápice no Tractatus de Wittgenstein. O que se entende aqui como processo é a necessidade lógica de interiorização dos significados, considerando-se a teoria proposicional do significado como eixo para análise e interpretação.
Assumindo que o processo de pensamento necessariamente vem antes de falarmos, somos tomados por uma irresistível inclinação em atribuir à atualidade ‘deste exato instante’ certas ocorrências mentais. A prática, o uso é uma necessidade não lógica, ensina Wittgenstein; o cálculo das condições de verdade de uma sentença ordinária é um mito. Quando examinado de perto, este cálculo para utilização de sentenças na comunicação com outros não subsiste. Norman Malcolm argumenta ainda que a compreensão é um evento instantâneo, diverso das etapas de um processo. Esta consideração não exclui a produção do sentido em nosso pensamento, quando somos ouvintes ou falantes.
A noção de competência para a linguagem só é possível por meio de um rápido processo de computação – em que momento, exatamente, eu comecei a falar? Quando acontece a compreensão? Tais experimentos da fala/pensamento levam ao ridículo o mito do ‘mentalismo’, mostrando a falta de sentido em procurar motivações internas para o instantâneo da compreensão.  A necessidade não lógica, a afirmação de que ‘nada é oculto’, tornam as formas de vida humanas os pontos nevrálgicos desta análise, ali onde surgem as contingências, os ‘jogos de linguagem’.

8.      “Linguagem como comportamento expressivo”
O Tractatus afirma: ‘Uma proposição pode ser verdadeira ou falsa apenas em virtude de ser uma imagem da realidade’. Essa é a natureza essencial das proposições, coincidir ou não com o mundo.  Norman Malcolm expõe a adoção deste conceito pelo ‘Círculo de Viena’, e a criação do ‘Princípio de Verificação’ como a principal doutrina deste grupo. Tal princípio consiste em que as sentenças construídas na ‘primeira pessoa psicológica’ tem como única possibilidade de verificação serem comparadas com o próprio comportamento e estado físico do falante.
Para expor a contradição interna desta doutrina, em sua metódica crítica ao ‘opositor’ tractariano, Wittgenstein pergunta: ‘Alguém louco pode verificar-se louco?’. Se o propósito da linguagem é expressar pensamentos, considera, o que estamos expressando numa sentença como ‘está chovendo’? Um choro, por exemplo, não é descritivo. Palavras como ‘estou com dor’ podem aproximar-nos de uma ‘descrição’, pois sugerem uma queixa.
Entretanto, não será sempre possível afirmar se o ato de chorar expressa um ‘estado da mente’ relativo a um sentimento de dor. Para o Wittgenstein das Investigações Filosóficas, um comportamento é pré-linguístico; quando choramos, ou dizemos que estamos com dor, estamos nos comportando como uma ‘forma de vida’. Nossa empatia primitiva nos coloca diante de um movimento de certeza: a linguagem como um ‘motor’ – o instinto, a ‘não-razão’. Anterior ao pensamento, a prática dos ‘jogos de linguagem’ são o critério para nossa ação.

9.      “Seguindo uma regra”
O conceito de ‘seguir uma regra’ é exposto nas Investigações tendo como base a ideia do sentido (aqui entendido como ‘seguir uma regra’) diretamente proporcional à ação. Ou seja, sem a ação não se pode determinar uma regra, e nem se pode seguir uma regra sem a ação. Wittgenstein escreve: “Este é nosso paradoxo: sem o curso da ação não podemos determinar uma regra, porque todo curso da ação é produzido de acordo com a regra.” Deste novo ceticismo (como apontado por Kripke), podemos entender ainda como ‘interpretação’ de uma regra a sua substituição, o ato de substituir (uma sentença só pode se ‘explicada’ por outra sentença). Ou seja: o que é regra? É a ação, não a interpretação. Se o sentido de uma ação é seguir uma regra, e seguir uma regra é agir, temos que o sentido é também, a ação. O comportamento de ‘seguir uma regra’ é uma prática que identifica determinada forma de vida, pois todo uso da linguagem implica numa comunidade em que haja concordância na aplicação de palavras e signos.   
Portanto, aponta ainda Wittgenstein, há distinção entre seguir uma regra e acreditar que está seguindo uma regra. Se a ação é o sentido da mesma, como podemos compreender o sentido de uma sentença na linguagem privada? Um homem solitário não pode ‘nomear’ uma técnica, pois não segue suas ‘regras’.
A linguagem privada é uma não convenção, uma não linguagem, pois, como vimos, a ruptura com um paradigma é uma adequação e não uma interpretação. Um homem solitário pode adequar-se por meio de sua própria interpretação? Um homem louco pode perceber-se louco?

10.  “Mente e cérebro”
A definição moderna para ‘mente’ advém da metafísica cartesiana: a mente é uma coisa que pensa: res cogitans. Embora sua natureza seja ‘imaterial e incorpórea’, Descartes lhe concede um ‘lugar’ nos humanos que estaria localizado no cérebro, um tipo de portal relacional entre o mundo físico e o metafísico. Das tradicionais teorias sobre a interação entre cérebro e mente, destacam-se o paralelismo psicofísico (todo pensamento, sensação ou sentimento encontra correspondência no sistema nervoso central) e a teoria da identidade (o cérebro propriamente dito entendido como ‘mente’, localizado num lugar, o crânio).  
Segundo Malcolm, aqui há um grande mal-entendido: não podemos dizer “o sistema nervoso central sentiu frio”, ou “o cérebro viu um dragão”. Quem ‘sente’ frio ou ‘vê’ dragões são pessoas. A forma de vida ser humano é um corpo basicamente formado por carbono, contendo vários órgãos, entre eles o cérebro. Não faz sentido, dessa feita, um cérebro extraído de um crânio e mantido num vaso ser estimulado, através de impulsos elétricos, a ter crenças e desejos. O que é capaz de pensar, agir, imaginar, desejar, é um ser humano vivo, e não uma entidade metafísica ou apenas um cérebro. Wittgenstein enxerga a simplória identificação da mente com o cérebro como um sintoma do desarranjo da filosofia.  É a doença da linguagem privada, dos pensamentos e motivos ocultos. Esse ‘velamento’ não parte de mim, pois dou a conhecer meu pensamento através de toda minha linguagem, signos e significados convencionados, projeção (empatia) como ação-sentido de meus atos.

11.  “Certeza”
Neste capítulo, Norman Malcolm pretende comparar o pensamento de Descartes e Wittgenstein a respeito do conhecer, do saber indubitável, da ‘impossibilidade do engano’. O gênio maligno cartesiano é seu constructo para chegar à certeza metafísica; duvidar de seu corpo, das estrelas e da terra como alucinações de um ser tirano e enganador.  
Para Descartes, seguindo sua ‘ordem das razões’, só existe certeza na clareza e na distinção. Sua dúvida hiperbólica, entretanto, é sua primeira razão: se ele duvida, ele existe. Aqui, a dúvida ‘parece’ inconcebível. Afirmando em vários textos que o poder ilimitado de Deus pode tornar contradições verdadeiras, Descartes aponta a possibilidade da proposição 2+3=5 ser falsa.  Embora considere as proposições da aritmética e da geometria impróprias para seu fim, o filósofo francês afirma ser impossível o conhecimento dessas duas verdades, caso Deus não exista ou caso seja tirano e enganador.  
A certeza objetiva de Wittgenstein, por sua vez, é uma contingência, pois só posso afirmar coisas sobre as quais posso duvidar. O que sabemos não é logicamente indubitável. O comportamento humano é o poder da certeza, da memória: determinado fato, ou saber será sempre assim?  A vida vem “pronta”, very fast, e o aprendizado é anterior à dúvida. As evidências que temos e sabemos por nossos pais, por documentos, livros, também são evidências da experiência da linguagem ordinária e nos dão a crença nas convenções, nos significados – são paradigmas dessas certezas. O objeto da ‘certeza objetiva’ é “acreditarmos” em nossa ‘forma de vida’, é a aplicação da ‘regra de cautela’ às crenças e certezas inerentes a todos os seres humanos.

12.  “Epílogo”
O principal aspecto da ruptura de Wittgenstein com o Tractatus, sua obra da juventude, é a dedução de que o sentido da linguagem é alheio às contingências da vida do homem. O universo onde a linguagem está embrenhada, e da qual seu uso cria a ação-sentido é o contexto do significado, no qual é erigida a sua nova concepção de linguagem.  
O Tractatus, considerado como ápice da tradição de análise proposicional da linguagem, ensina que o objeto simples (nome) impõe sentido à proposição, dá atualidade a este sentido. O espelhamento da imagem (picture) é tudo o que faz sentido na sentença,  entendido como ‘estado de coisas’. O valor de verdade de uma proposição elementar é também a total independência lógica de sua atualidade. Tais propriedades tornam possível a totalidade dos ‘estados de coisas’, sendo a isomorfia um recorte dessas possibilidades. A determinação do espaço lógico provê o limite do dizível, do mundo físico (bearer).  
Nas Investigações Filosóficas, por sua vez, são a ‘semelhança de família’ e a ‘forma de vida’ as noções preponderantes. As aplicações de um determinado signo sugerem uma proximidade de significado que lembram semelhanças entre os membros de uma família, mas que guardam suas características individuais próprias.  A definição das regras de uso, dos significados, é configurada pelas necessidades vitais dos falantes.  
A história natural da espécie humana, suas características e comportamento específicos são os limites para a compreensão e para a certeza na linguagem ordinária. Wittgenstein: “uma boca sorridente sorri apenas num rosto humano”.

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BIBLIOGRAFIA

MALCOLM, Norman, Nothing is Hidden – Wittgenstein’s Criticism of his Early Thought, Nova York, Basil Blackwell, 1986.

WITTGENSTEIN, Ludwig, Tratado Lógico-Filosófico, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2011.

WITTGENSTEIN, Ludwig, Investigações Filosóficas, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2011.

FRASCOLLA, Pasquale, Understanding Wittgenstein's Tractatus, Nova York, Routledge, 2007.




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